Se me perguntassem há alguns anos, eu diria de boca cheia que era movida pela carne. Falava isso sem hesitar, com a convicção de quem acreditava saber como o mundo funciona. Eu era essa pessoa. O mundo me ensinou assim. Na verdade, esse é o maior desafio de todos os pais, não é? Educar com o mundo ali, lado a lado. Um mundo que distorce valores. Dentro de casa, tive as melhores referências, mas como blindar do mundo?! Do lado de cá, meus pais nunca abriram mão da base boa, e ainda bem. Porque acredito que é a base que nos faz voltar.
Quando jovem, eu achava que sabia tudo. Dizia para minha mãe com a segurança de quem acredita estar reinventando a roda: “Isso funcionava no seu tempo.” Mas acontece que o evangelho não tem prazo de validade. O mundo tenta deturpar, mas a verdade permanece.
Foi nesse modo de operar que construí todos os meus relacionamentos anteriores. Mas antes mesmo de me converter, Deus, em Sua infinita graça, já me mostrava sinais. Eu é que não queria enxergar. Até que Ele fez o improvável.
Conheci meu futuro marido da maneira mais inusitada possível. Quase à moda antiga, se não fosse por um detalhe: a primeira mensagem trocada foi por direct, de um continente para o outro. Era tecnologia, mas no fundo, era Deus escrevendo certo. Nos apaixonamos, começamos a namorar sem nunca termos nos visto pessoalmente. Eu? Fazendo isso? Logo eu?
Quando contei para minhas amigas, a reação foi unânime: “Impossível. Eu esperaria isso de qualquer outra amiga, menos de você.” Elas riram, desacreditaram. E, sendo sincera, eu e ele também. Mas por dentro algo me dizia que era certo. Deus não faz nada pela metade.
O choque maior veio quando fui contar para o meu pai. Com o coração na mão, esperei qualquer reação, menos a que veio. Ele sorriu e disse: “Finalmente, você está começando um relacionamento do jeito certo.” UAU.
O carnal é efêmero, passageiro. Alimenta a pele, mas não a alma. A carne une prazeres. Deus une propósitos. E como começamos qualquer relacionamento nos dias de hoje? Pelo beijo, pela pele…Relacionamentos baseados somente nisso podem durar um tempo, mas têm prazo de validade. Acreditem. E eu não via problema nisso. Eu normalizava. O mundo ensina dessa forma. Mas a Palavra ensina outra coisa: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 João 2:16). A carne nunca está satisfeita. Ela sempre pede mais.
O que a carne quer nunca é o que a sua alma precisa. Demorei três décadas para aprender. O mundo promete liberdade, mas entrega escravidão. Jesus chama para a renúncia, mas entrega verdadeira liberdade. Se me perguntassem antes, eu diria que era impossível. Mas nada é impossível para Deus. E ainda bem que Ele me resgatou.
Hoje, de boca cheia, eu digo: sou uma pessoa espiritual. E nunca fui tão livre. No fim, não é como o mundo diz que é, mas como Jesus diz que é para ser.
Love love love, Lu.
